Crônica de uma covardia anunciada

11/06/2025 Vi apenas um pedaço da oitiva do miliciano genocida. E bastou. Não por distração, tampouco por falta de interesse, mas por respeito aos meus "instintos mais primitivos". Há cenas que, assistidas por tempo demais, comprometem não só o fígado cívico, mas também a flora intestinal da dignidade. Sofro — e não escondo — de uma dupla fragilidade pessoal que muito me limita como espectador do grotesco. A primeira, fisiológica: meu estômago não tolera vermes, sobretudo os rastejantes — essa subcategoria biológica que transita entre a baixeza e o cinismo com espantosa desenvoltura, como é o caso do meliante em…

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Duelo de Canalhas

05/06/2025 Por mais que analistas e jornalistas tentem emprestar uma aura de complexidade geopolítica ao bate-boca entre Donald Trump e Elon Musk, o episódio não passa de um repeteco de um roteiro já conhecido — o termo certo, aliás, é barraco. Quem testemunhou o rompimento barulhento e malcheiroso entre Jair Bolsonaro e Sergio Moro conhece bem a coreografia: dois malandros que se conhecem demais para continuarem dividindo o mesmo quadrado. Porque, no fundo, não há espaço para dois pilantras no mesmo saloon. O caso Trump-Musk é de uma obviedade curitibano-lavajatista. Ambos se prestaram, nos últimos anos, a um balé de…

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Enough is Enough!

29/05/2025 “O que estamos fazendo em Gaza agora é uma guerra de devastação: assassinatos indiscriminados, ilimitados, cruéis e criminosos de civis.”“Sim, Israel está cometendo crimes de guerra.” Não fui eu quem escreveu essas palavras — tampouco um militante palestino, um intelectual progressista ou um ativista pan-arabista. Foi Ehud Olmert, ex-primeiro-ministro israelense, quem as redigiu, em artigo publicado no Haaretz, sob o título: Enough Is Enough. Israel Is Committing War Crimes. Olmert não é dissidente. É herdeiro direto do establishment israelense, homem do Likud — o mesmo ventre político que pariu os repulsivos Menachem Begin e Ariel Sharon e, por fim,…

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Quando a fome mata Netanyahu se alegra e o Ocidente aplaude em silêncio

20/05/2025 Há silêncios e silêncios; mas há um tipo de silêncio que não é ausência de som, mas ausência de humanidade. Um silêncio que revela, mais do que a concordância, a cumplicidade. É o silêncio ouvido nos salões dos palácios ocidentais — morada histórica do cinismo travestido de civilização judaico-cristã — onde se desenham, com a frieza dos sociopatas, os planos de extermínio do povo palestino. Não de hoje. Desde muito antes da criação do Estado de Israel. Todos sabem — até o mais ermitão da humanidade sabe — que o que se passa em Gaza não é conflito, não…

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