O fascismo como experiência concreta no Brasil

Edward Magro na RED | 09/05/2026 “A ameaça interna: psicanálise dos novos fascismos”, obra recente de Vladimir Safatle, reativou um debate que atravessa a experiência brasileira há décadas, ainda que frequentemente suavizado por acomodações institucionais frágeis. A formação social do país, marcada pela violência estrutural e pela longa duração da escravidão, conservou disposições autoritárias que jamais foram plenamente superadas. Por algum tempo, tais disposições permaneceram parcialmente encobertas; no entanto, transformações recentes no cenário político conferiram-lhes maior visibilidade. As jornadas de 2013, seguidas pelo golpe parlamentar contra Dilma Rousseff, contribuíram para desorganizar um equilíbrio já instável, permitindo que esse fundo histórico…

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As veias abertas da América Latina voltam a sangrar

Edward Magro | 03/01/2026 Nada mais excessivamente esperançoso do que imaginar que a política internacional obedece a algum código de boas maneiras, uma espécie de manual de etiqueta para Estados supostamente civilizados. Antes que o velho imaginário hollywoodiano apresente ao mundo sua versão épica da invasão da Venezuela, com heróis inflados e explicações glamourosas, vale uma pausa breve para distinguir o que ainda resiste à ficção. Não por devoção ao factual, mas por um gesto simples de consideração pela inteligência alheia — ao menos pela nossa, que ainda tenta não se deixar seduzir pelo espetáculo. A história latino-americana é fértil…

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O ursinho togado

Edward Magro | 29/09/2025 A entrevista concedida pelo ministro Luís Roberto Barroso à jornalista Mônica Bergamo, publicada ontem na Folha de S.Paulo, é, em tudo, ternura e delicadeza. Cada pergunta, um desvelar amoroso; cada resposta, um afago; cada observação, um chazinho de camomila com mel de jataí; cada recordação, um algodão-doce derretendo lentamente na boca. Nada mais apropriado do que descrevê-la como a coisa mais fofa do mundo. Entrevista-fofucha. Talvez esteja aí o problema. Porque, entre tantos diminutivos açucarados, a aura de candura do ministro revela menos inocência do que se imagina, e bem mais cálculo do que a aparência…

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Bananinha, líder da minoria na caverna de Ali Babá

Edward Magro | 17/09/2025 Os portais hoje exibem o crime cometido ontem pela Câmara. Não foi propriamente uma sessão legislativa, mas uma assembleia na caverna de Ali Babá, onde quarenta, ou talvez mais, ladrões redefiniram as regras do jogo e resolveram legislar sobre sua própria impunidade, decidindo como não julgar e como não punir criminosos travestidos de parlamentares. Inventaram uma espécie de autoanistia preventiva, cuidadosamente redigida para assegurar que criminosos de paletó e gravata continuem frequentando o plenário em vez de celas. Nessa Câmara bolsonarista, no pós-Arthur Lira, a criminalidade política alcançou proporções tais que, se nos permitirmos uma comparação…

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