Dançando na lavanderia

Edward Magro | 05/09/2025 Li no zap-zap que Tarcísio disse, na Bolsa de Valores de São Paulo, que o mercado financeiro vai “proporcionar a redução das desigualdades”, como se fosse um tipo de motor da justiça social.Incrédulo, não acreditei.Assombrei-me, perplexizei-me, fiquei pasmado.Reli o post; havia um link. Cliquei receoso, temendo vírus, um cavalo de Troia, alguma armadilha digital. Não era cavalo nem Troia; era apenas Tarcísio, entoando o mantra da “mão invisível”. Essa que, invisível, aperta gargantas enquanto coleciona moedas, tão diligente em concentrar riqueza, agora se convertera em irmã caridosa, repartindo o pão, acolhendo pobres e desgraçados. Acreditei. Não…

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Fascismo, linha de fuga do ultracapitalismo

Edward Magro | 05/09/2025 O capitalismo contemporâneo não se limita a organizar mercados ou fluxos de riqueza: ele se infiltra na tessitura delicada da vida, no sopro íntimo do desejo, nas tramas invisíveis que sustentam nossas relações. Mais que isso, é o parteiro do nosso advento, o gerente das nossas capacidades produtivas, usurpador silencioso de nossas vidas e, por fim, coveiro das nossas existências. Sempre me pergunto se, em algum momento, ele atuou de maneira diferente. Sempre me vem à lembrança a exploração infantil desde seu surgimento na Inglaterra, prolongada por mais de um século. O veredito segue sendo sempre…

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Baila rancor, baila!

Edward Magro | 03/09/2025 O Tarcísio, como se diz lá no Espigão, "pode até ser burro, mas besta ele não é". O que ele faz, nos palanques em que se exibe e nas manchetes que fabrica, transmitindo a imagem e a sensação de que luta pela anistia de Bolsonaro, não passa de um bailado manco, um tango sem bandoneón, um baião sem sanfona, um minueto sem orquestra. É fogo-fátuo que arde sem queimar, que se mostra sem existir. Ele sabe perfeitamente que não há anistia possível para Bolsonaro, pois qualquer lei nesse sentido encontraria, sem demora, a lata de lixo…

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O que vem depois da fala que destrói?

Edward Magro | 06/08/2025 Quem viu ontem parlamentares da extrema-direita com esparadrapos na boca no Congresso talvez tenha sentido um breve alívio: “Ufa! Ao menos, por um instante, calados”. Mas o gesto, embora farsesco, não é inofensivo. Ali estavam alguns dos mais prolíficos disseminadores de mentiras, teorias conspiratórias, difamações e discursos de ódio, sempre amparados pela imunidade parlamentar e pela retórica da liberdade de expressão. Há anos, suas falas circulam livremente por redes sociais, rádios, canais religiosos e tribunas. Nenhum foi silenciado; pior ainda, poucos foram responsabilizados — o que, em democracias maduras, representa o mínimo esperado. É curioso, e…

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