Embaichapeiro e a diplomacia da autoembananação

10/07/2025 O futebol é rico em metáforas. Há expressões carregadas de sabedoria ancestral que, de tão precisas, mereceriam figurar como disciplina obrigatória nas academias de Direito e nas cátedras de Filosofia Política. Uma dessas expressões, quase um provérbio do gramado, ensina com acurada precisão que se "pode deixar o perna de pau sozinho, que ele se marca". À primeira vista, soa como zombaria pueril contra algum caneludo desprovido de intimidade com a bola. Mas, em sua aparente trivialidade, reside a chave para decifrar figuras de notável inapetência intelectual. É o caso — ou melhor, o caso perdido — de Eduardo…

0 comentário

Hugo Motta, o otário

04/07/2025 Antes de tudo, Hugo Motta é um otário. Deslumbrado com sua longa cauda de rato da extrema-direita, acreditou ser protagonista quando, na verdade, não passa de um estafeta, de um mensageiro obediente. Adestrado na coleira e na focinheira por Eduardo Cunha e Arthur Lira, é um serviçal do bolsonarismo radical e do centrão fisiológico que há décadas parasita o Estado. Motta é o arrivista típico: confunde bajulação com liderança, servilismo com estratégia. Um otário. E não há termo mais preciso. Tão otário que, na mesma semana, pautou duas bombas: o aumento no número de deputados, para agradar ao baixo…

0 comentário

A Câmara é a trincheira do retrocesso

02/06/2025 A pesquisa Quaest, divulgada hoje, confirma com clareza o que há muito se sabia. Por mais que a liturgia do cargo imponha ao presidente da República certa compostura institucional, a crueza rapinante das decisões do Parlamento exige contenção. Contenção que só pode ser exercida pelos caminhos democráticos disponíveis, pelos expedientes legais ao alcance do Executivo: a judicialização da política. A frase proferida ontem por Lula — “Se eu não for ao STF, não governo” — não é metáfora aleatória, tampouco desabafo retórico. É a descrição literal de um impasse histórico: um governo eleito para promover justiça social e desenvolvimento…

0 comentário

É isso mesmo: é “nós contra eles”

01/07/2025 Nas últimas legislaturas, a escolha do presidente da Câmara, no Brasil, não tem sido exatamente um exercício democrático. Tem sido, antes de tudo, um rodízio no comando de um negócio sujo — muito sujo — e altamente lucrativo. Sai Arthur Lira, entra Hugo Motta. Antes deles, Eduardo Cunha. A linha de sucessão é nítida: um gângster forma o outro e passa-lhe o bastão da rapinagem. Motta foi criado em cativeiro por Cunha. Foi adestrado, moldado, lapidado para manter a engrenagem da impunidade funcionando com precisão. E funcionando muito bem, sobretudo para quem jamais pagou impostos. Nem pretende. A sucessão…

0 comentário