Oremos pelos desgarrados, pois o Evangelistão está prenhe

27/06/2025 O Brasil não nos dá descanso! No mesmo dia em que o IBGE nos presenteia com a excepcional notícia de que o desemprego caiu para 6,2% e de que a formalização do trabalho, a tal carteira assinada, atingiu níveis históricos — espécie de primavera tardia no mercado de trabalho —, somos brindados com outra revelação, esta de tom escatológico: as mulheres evangélicas são, de longe, as campeãs nacionais em fecundidade. Com média de 1,7 filho por mulher, as evangélicas vêm povoando o nosso futuro com fervorosa diligência. Essa notícia deve ter sido recebida com júbilo nos púlpitos-gazofilácios do país,…

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Israel é a estética da mentira

17/06/2025 Acabo de assistir à entrevista de Daniel Zonshine, embaixador de Israel no Brasil, concedida ontem ao G1. Como de hábito na diplomacia israelense, o bolsonarista Zonshine fala nosso idioma com a destreza de um turista desavisado, trajando uma camiseta pirata de um clube de futebol local, adquirida ao acaso num camelódromo de esquina – um gesto de desprezo diplomático que não se pode ignorar. No entanto, o Zonshine-monoglotismo é, de longe, o menor dos problemas. O embaixador nazissionista é a encarnação ambulante da máquina de desinformação israelense. Ficou claro, na entrevista chapa-branca, que a única função da diplomacia israelense…

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Salvos pelo Clima

12/06/2025 Foi o clima que nos salvou. Não foi o STF, não foi a política. Menos ainda a Polícia Federal. Tampouco as Forças Armadas — estas, sempre com um pé no desfile cívico e o outro na anarquia institucional. O que nos resguardou da quartelada tropical de 2023 foi o clima — ou, para ser mais exato, a ausência dele. Quem nos brinda com essa pérola analítica é o arguto jornalista Leonardo Sakamoto que, atento às oitivas dos réus do golpe, cravou: “a falta de clima não gerou o golpe”. Traduzindo: se houvesse clima, haveria golpe. Simples assim. Se chovesse,…

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Crônica de uma covardia anunciada

11/06/2025 Vi apenas um pedaço da oitiva do miliciano genocida. E bastou. Não por distração, tampouco por falta de interesse, mas por respeito aos meus "instintos mais primitivos". Há cenas que, assistidas por tempo demais, comprometem não só o fígado cívico, mas também a flora intestinal da dignidade. Sofro — e não escondo — de uma dupla fragilidade pessoal que muito me limita como espectador do grotesco. A primeira, fisiológica: meu estômago não tolera vermes, sobretudo os rastejantes — essa subcategoria biológica que transita entre a baixeza e o cinismo com espantosa desenvoltura, como é o caso do meliante em…

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