Chiqueiro e algoritmo: territórios que não nos pertencem

Edward Magro | 12/04/2026 Tomar a temperatura das redes sociais como medida da vitalidade política tem induzido as análises do campo progressista a erros persistentes. À primeira vista, pode parecer apenas a escolha de um termômetro inadequado; observado com maior atenção, porém, o problema revela uma dimensão mais profunda e já bastante sedimentada. Não se trata apenas de medir mal, mas de depender de um instrumento cujos critérios de funcionamento escapam ao próprio observador. Quando um campo político passa a orientar sua leitura da realidade por indicadores que não domina — e, sobretudo, que não controla —, o risco deixa…

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Caso Master, a reescrita em movimento

Edward Magro | 20/02/2026 Acabo de ler que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, derrubou restrições anteriormente impostas no caso envolvendo o Banco Master, medida que limita o acesso da equipe de Andrei Rodrigues, diretor da Polícia Federal, às informações da investigação. A notícia, que mais parece ressaca de Carnaval, não chega a surpreender. Funcionário de carreira que ascendeu ao Supremo sob a marca de uma lealdade canina ao bolsonarismo e à vertente mais militante do pentecostalismo político, Mendonça raramente se afasta da linha que o conduziu à cadeira que ocupa. Sua previsibilidade não é falha circunstancial, mas…

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No Carnaval, a avenida é poder

Edward Magro | 16/02/2026 Ainda bem que, guiado pelo faro apurado e por seu instinto político singular, o presidente Lula decidiu estar na Sapucaí para acompanhar o desfile da Acadêmicos de Niterói. Foi um gesto de presença que, somado à sua participação nos carnavais do Recife e de Salvador, revelou uma sintonia fina com o pulso do país. A resposta popular veio como o Brasil costuma oferecer: com espontaneidade, carinho, afeto e calor humano. Se recorrermos a uma metáfora de outra paixão nacional, o futebol, Lula não apenas marcou um golaço; protagonizou um daqueles lances raros em que o jogador…

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Entre o acaso e o arranjo, fabrica-se a normalidade

Edward Magro | 13/02/2026 Sem qualquer desejo de perturbar o clima festivo do carnaval, sinto, ainda assim, um discreto impulso de espírito de porco de compartilhar uma leitura nada confortável sobre a substituição de Dias Toffoli por André Mendonça na relatoria do caso Master. A meu ver, o episódio representa uma vitória expressiva da convergência entre o bolsonarismo e o pentecostalismo argentário — duas das estruturas de poder mais organizadas e influentes hoje no país. Mais significativa, contudo, do que esse avanço é a natureza da derrota que o tornou possível: o campo progressista, por ação, omissão ou cálculo equivocado,…

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