Há, entre nós, um país que se recusa a se enxergar em quem sobe

Edward Magro | 29/07/2025 Vivemos um daqueles raros momentos históricos que, em tese, mereceriam celebração: desemprego em queda livre, massa salarial em alta, fome recuando ao nível do erro estatístico e uma classe média que, depois de longos anos de recesso, volta a admitir novos membros. Um país em ascensão, diriam os entusiastas — merecedor, talvez, de uma nova capa da Economist, a bíblia do liberalismo mundial. Um Brasil que, pela primeira vez em muito tempo, consegue fazer da esperança um dado empírico, compartilhado, vivenciado no dia a dia, e não apenas uma palavra decorativa em discursos oficiais. Para que…

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A reconquista do pão

28/07/2025 Há conquistas que pertencem à ordem da esperança. Outras, mais raras, à ordem da reparação. Foi anunciado há pouco, em Adis Abeba (Etiópia), que o Brasil foi oficialmente retirado, pela segunda vez em sua história, do Mapa da Fome da ONU. Em 2014 o Brasil havia deixado o mapa pela primeira vez, e volta a alcançar esse feito em tempo recorde — desta vez, após menos de três anos de reconstrução institucional. É, sem dúvida, motivo de alegria — mas também de lembrança. Porque, para que um país seja reinserido no rol da dignidade, é necessário antes admitir que…

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Entre escombros e esperança, ressuscitamos

26/07/2025 Foi publicado hoje o relatório 25 Years of Autocratization – Democracy Trumped?, elaborado pelo Instituto Variedades de Democracia (V-Dem), sediado na Universidade de Gotemburgo, que nos traz uma notícia auspiciosa: a democracia brasileira, após anos de erosão institucional, experimenta um processo de recuperação singular. Enquanto boa parte do mundo afunda no autoritarismo, o Brasil desponta como exceção. O estudo, referência mundial sobre o estado das democracias, apresenta dados inquietantes: 72% da população global vive sob regimes autocráticos e, pela primeira vez em meio século, há mais autocracias do que democracias no planeta. A eleição, isoladamente, deixou de ser critério…

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Tornozeleira com o mapa do inferno

22/07/2025 Queria ter acordado hoje com o desejo manso de escrever uma crônica leve, alegre, divertida — dessas que me provocam riso enquanto escrevo, como quem descansa as ideias inspiradoras num jardim de palavras. No entanto, fui dormir ontem sob o peso da notícia amarga de que o ministro Luiz Fux tentara livrar a cara do miliciano genocida, esse verme rastejante que encarna o que há de mais abjeto na história social brasileira, figura que é, ao mesmo tempo, pai e filho da ruína moral e institucional contra a qual, com muito esforço, ainda lutamos para reverter. Quase não dormi.…

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