Os tocáveis e os intocáveis de Trump

20/07/2025 Jamil Chade, em sua coluna de hoje, relata que Staffan Lindberg, um sueco sóbrio e pouco dado a histerias tropicais, lhe afirmou que, se as coisas seguirem no atual compasso, os Estados Unidos deixarão de ser considerados uma democracia já em 2026. Não se trata de um palpite de mesa de bar. Lindberg é chefe do V-Dem, programa da Universidade de Gotemburgo que avalia, com denso rigor, a saúde democrática dos países mundo afora. O aviso aturde. Afinal, não é todo dia que uma república outrora símbolo da democracia — mesmo com todas as suas contradições coloniais — resolve…

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O insustentável peso da leveza

18/07/2025 Se eu fosse um homem de fé — e Deus sabe o quanto tentei, e o quanto falhei — esta sexta-feira me colocaria num impasse teológico de primeira grandeza. Porque ela não apenas sextou. Sextou linda, esplendorosa, radiante, iluminada, apesar do céu de inverno, encoberto e acinzentado, e da umidade da garoa que, incasavelmente, cai lá fora há pelo menos doze horas. Sextou fria no termômetro, quente no coração. Difícil explicar a leveza do ar. O país ainda é o mesmo; o governo, igualmente inalterado. Lula continua refém de um Congresso criminoso; Hugo Motta segue empregando fantasmas em seu…

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A arte da revelação ao avesso

17/07/2025 Na manhã de hoje, por trinta longos e dolorosamente ininterruptos minutos, Jair Bolsonaro ocupou um púlpito situado em algum espaço secundário do Senado Federal, onde pôde exercer, com a habitual profusão, sua única especialidade, que é a arte de falar sem dizer. Por vocação e mérito, a sessão performática na qual o ex-presidente tentou emular a autoridade que jamais possuiu transformou-se num verdadeiro suplício para a audiência, eu incluído, naturalmente. Desalinhado e desajeitado dentro de um terno mal cortado, o corpo que outrora circulava nos ombros de bajuladores em passado recente jazia ali, presente à missa, cercado por um…

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O doce sabor da rachadinha

15/07/2025 A notícia do dia é que o senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente atualmente a uma pata e meio casco da Papuda, reagiu mal, muito mal, à atuação do procurador Paulo Gonet, que apresentou ao STF o relatório final pedindo a condenação do pai do senador. Segundo Flávio, o procurador só poderia ter ingerido “altas doses de Diazepam” para formular tal petição. A frase foi proferida com aquele tom de indignação típico de quem, envergando a camisa amarela da seleção, enxuga lágrimas com a bandeira do Brasil. Trata-se, como muitos certamente prefeririam esquecer, de uma cena difícil de apagar…

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