Economist, Bolsonaro e PCC no labirinto das planilhas do Posto Ipiranga

Edward Magro | 28/08/2025 Enfim, Jair Bolsonaro conquistou a capa da The Economist. Não, não se trata de um triunfo de estadista, de uma menção honrosa pela condução da economia ou pela projeção do país no cenário global. O feito do ex-presidente, atualmente tornozelado e sob a tutela da Polícia Federal, foi aparecer ali como um delinquente prestes a acertar as contas com a Justiça. Nada de glória republicana, mas, ainda assim, uma página histórica: o Brasil ocupando o centro de uma das mais influentes revistas do planeta. E o que a publicação britânica, porta-voz mundial do liberalismo e referência…

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Quintal não mais

Edward Magro | 17/08/2025 O último Datafolha trouxe um retrato curioso do imaginário nacional: 35% dos brasileiros acreditam que o tarifaço é culpa de Lula, enquanto 39% atribuem a responsabilidade à família Bolsonaro. O dado em si revela mais do que uma divisão de opiniões: revela a desinformação cuidadosamente cultivada. Pois a verdade é uma só: o tarifaço é culpa direta de Donald Trump. C'est fini! Quanto aos 39% que responsabilizam a família Bolsonaro, o furdunço desinformacional produzido pelo fascismo tenta transformá-la, de família antinacionalista que odeia o povo brasileiro, em uma tropa de “guerreiros” de uma luta imaginária pela…

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Sem infernos, para ninguém

Edward Magro | 02/08/2025 Sou de uma geração de ateus, profundamente marcada pela Teologia da Libertação. Não me pergunte por quê, mas entre a resposta lacônica — “idiossincrasias da existência política” — e a mais provável — “o encantamento de fazer os Céus baixarem à Terra”, proposto por seus pensadores —, é esta segunda que mais me alcança. Digo isso porque uma frase me martela a cabeça há pelo menos quatro anos: “É do inferno dos pobres que se faz o paraíso dos ricos.” Essa frase-pensamento, seca e irrefutável, poderia muito bem ter sido dita por Marx, Spinoza ou Schopenhauer…

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Quem não cala não consente!

Edward Magro | 31/07/2025 Nas últimas semanas, o governo brasileiro tomou quatro decisões históricas. Articuladas em silêncio, comunicadas com sobriedade e ignoradas com inquietante unanimidade por grande parte da imprensa nacional. Nenhuma manchete em destaque, nenhum editorial à altura, nenhum repórter acompanhando de perto o que talvez sejam os atos mais significativos da diplomacia brasileira neste século. O que se passou foi quase clandestino, como se houvesse um pacto tácito para ocultar a dignidade. Essas quatro decisões, ao mesmo tempo corajosas, ousadas e moralmente incontornáveis, foram tomadas diante do horror em curso na Faixa de Gaza, onde o Estado de…

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