27 anos e 3 meses é o abrir da porteira

Edward Magro | 11/09/2025 Acaba de ser decretado: 27 anos e 3 meses de cadeia para o criminoso Jair Messias Bolsonaro.Eu me pergunto: foi pouco?Eu me respondo: sim, foi.Foi muito pouco. Eu me consolo. Já é um começo. Um começo que traz a vingança discreta da realidade: o homem que se acreditava inimputável, o mito erguido sobre lama, ódio e ressentimento, agora habita o território dos réus condenados. A sentença não devolve o que foi arrancado, mas concede à história um gesto inaugural.C’est la porte qui mène au châtiment, como dizem os franceses. Porque 27 anos e 3 meses não…

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O intestino-voto de Fux

Edward Magro | 11/09/2025 Na sessão de terça-feira, Luiz Fux fez questão de tumultuar a discussão sobre apartes. Criou mal-estar na sessão, afirmando que havia sido combinado que não haveria interrupções nos votos. Apesar de ter virado chacota e combustível para uma explosão de memes, aquele siricotico não foi um capricho qualquer: queria garantir para si o direito de ocupar, no dia seguinte, todo o tempo necessário da reunião para recitar seu discurso histórico em defesa do golpe de Estado. O surto da terça rendeu a Fux, na quarta, onze horas — onze intermináveis e nauseantes horas — como se…

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Fux joga futevôlei e a Constituição observa

Edward Magro | 10/09/2025 Acordei sem vontade de ver o voto do ministro Luiz Fux. Ainda assim, por teimosia, me obriguei a assistir.Não consegui transpor a barreira dos dez minutos iniciais. Entre brocados e rococós embalados por uma voz sóbria, mas muito próxima da embriaguez, o vetusto decidiu que o Supremo Tribunal Federal é incompetente para julgar a tentativa de golpe. Esperto. Não lhe passou despercebido, é claro, que as provas são numerosas, consistentes, impossíveis de refutação. Se o processo seguir, o golpe será criminalizado e seus construtores presos. Diante desse obstáculo intransponível, inventou uma saída lateral: a Corte seria…

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O que vem depois da fala que destrói?

Edward Magro | 06/08/2025 Quem viu ontem parlamentares da extrema-direita com esparadrapos na boca no Congresso talvez tenha sentido um breve alívio: “Ufa! Ao menos, por um instante, calados”. Mas o gesto, embora farsesco, não é inofensivo. Ali estavam alguns dos mais prolíficos disseminadores de mentiras, teorias conspiratórias, difamações e discursos de ódio, sempre amparados pela imunidade parlamentar e pela retórica da liberdade de expressão. Há anos, suas falas circulam livremente por redes sociais, rádios, canais religiosos e tribunas. Nenhum foi silenciado; pior ainda, poucos foram responsabilizados — o que, em democracias maduras, representa o mínimo esperado. É curioso, e…

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