Embaichapeiro e a diplomacia da autoembananação

10/07/2025 O futebol é rico em metáforas. Há expressões carregadas de sabedoria ancestral que, de tão precisas, mereceriam figurar como disciplina obrigatória nas academias de Direito e nas cátedras de Filosofia Política. Uma dessas expressões, quase um provérbio do gramado, ensina com acurada precisão que se "pode deixar o perna de pau sozinho, que ele se marca". À primeira vista, soa como zombaria pueril contra algum caneludo desprovido de intimidade com a bola. Mas, em sua aparente trivialidade, reside a chave para decifrar figuras de notável inapetência intelectual. É o caso — ou melhor, o caso perdido — de Eduardo…

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Hugo Motta, o otário

04/07/2025 Antes de tudo, Hugo Motta é um otário. Deslumbrado com sua longa cauda de rato da extrema-direita, acreditou ser protagonista quando, na verdade, não passa de um estafeta, de um mensageiro obediente. Adestrado na coleira e na focinheira por Eduardo Cunha e Arthur Lira, é um serviçal do bolsonarismo radical e do centrão fisiológico que há décadas parasita o Estado. Motta é o arrivista típico: confunde bajulação com liderança, servilismo com estratégia. Um otário. E não há termo mais preciso. Tão otário que, na mesma semana, pautou duas bombas: o aumento no número de deputados, para agradar ao baixo…

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Salvos pelo Clima

12/06/2025 Foi o clima que nos salvou. Não foi o STF, não foi a política. Menos ainda a Polícia Federal. Tampouco as Forças Armadas — estas, sempre com um pé no desfile cívico e o outro na anarquia institucional. O que nos resguardou da quartelada tropical de 2023 foi o clima — ou, para ser mais exato, a ausência dele. Quem nos brinda com essa pérola analítica é o arguto jornalista Leonardo Sakamoto que, atento às oitivas dos réus do golpe, cravou: “a falta de clima não gerou o golpe”. Traduzindo: se houvesse clima, haveria golpe. Simples assim. Se chovesse,…

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Crônica de uma covardia anunciada

11/06/2025 Vi apenas um pedaço da oitiva do miliciano genocida. E bastou. Não por distração, tampouco por falta de interesse, mas por respeito aos meus "instintos mais primitivos". Há cenas que, assistidas por tempo demais, comprometem não só o fígado cívico, mas também a flora intestinal da dignidade. Sofro — e não escondo — de uma dupla fragilidade pessoal que muito me limita como espectador do grotesco. A primeira, fisiológica: meu estômago não tolera vermes, sobretudo os rastejantes — essa subcategoria biológica que transita entre a baixeza e o cinismo com espantosa desenvoltura, como é o caso do meliante em…

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