Domingo domingou, e domingará muito mais

Edward Magro | 24/09/2025 Acompanhar a vida política brasileira costuma ser tarefa exaustiva. O espetáculo mais frequente não se faz de grandes decisões de Estado, mas de intrigas miúdas, chantagens calculadas e negociações de bastidores tão repetitivas que, além de se autoesgotar, nos esgota a todos. Tudo isso embalado em selfies e lives broxáveis, como se o fascismo local, em sua versão galinha verde, acreditasse que a transmissão contínua do ridículo pudesse convertê-lo em grandeza. De tempos em tempos, contudo, algo se desloca. Raros como estrelas visíveis em noites paulistanas, surgem dias em que a história decide se mostrar de…

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Sobre o discurso de Lula na ONU

Edward Magro | 22/09/2025 A maioria dos pronunciamentos diplomáticos costuma ser entediante: acumulam fórmulas gastas, agradam aos ouvintes, mas raramente iluminam. São discursos sem graça e desnecessários. Poucos contêm alguma verdade; menos ainda revelam sinceridade. Há, no entanto, aqueles que, assim que ditos, escapam ao instante e se instalam na história. Transbordam do espaço restrito em que foram proferidos, ultrapassam a rigidez e a formalidade da diplomacia e se insinuam como murmúrios subterrâneos que desvelam verdades sufocadas. Palavras há muito afogadas pelo poder encontram passagem nos interstícios do discurso e se apresentam à humanidade, lembrando-nos de que o convívio internacional…

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Bananinha, líder da minoria na caverna de Ali Babá

Edward Magro | 17/09/2025 Os portais hoje exibem o crime cometido ontem pela Câmara. Não foi propriamente uma sessão legislativa, mas uma assembleia na caverna de Ali Babá, onde quarenta, ou talvez mais, ladrões redefiniram as regras do jogo e resolveram legislar sobre sua própria impunidade, decidindo como não julgar e como não punir criminosos travestidos de parlamentares. Inventaram uma espécie de autoanistia preventiva, cuidadosamente redigida para assegurar que criminosos de paletó e gravata continuem frequentando o plenário em vez de celas. Nessa Câmara bolsonarista, no pós-Arthur Lira, a criminalidade política alcançou proporções tais que, se nos permitirmos uma comparação…

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27 anos e 3 meses é o abrir da porteira

Edward Magro | 11/09/2025 Acaba de ser decretado: 27 anos e 3 meses de cadeia para o criminoso Jair Messias Bolsonaro.Eu me pergunto: foi pouco?Eu me respondo: sim, foi.Foi muito pouco. Eu me consolo. Já é um começo. Um começo que traz a vingança discreta da realidade: o homem que se acreditava inimputável, o mito erguido sobre lama, ódio e ressentimento, agora habita o território dos réus condenados. A sentença não devolve o que foi arrancado, mas concede à história um gesto inaugural.C’est la porte qui mène au châtiment, como dizem os franceses. Porque 27 anos e 3 meses não…

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