Neymar e Zico, ou, as vagas cativas

Edward Magro | 18/05/2026 Carlo Ancelotti, o Mister, anuncia hoje, às cinco da tarde, a lista dos 26 convocados para a próxima Copa do Mundo. Em teoria, trata-se de um exercício de meritocracia esportiva. Em teoria, observam-se desempenho, regularidade, condição física, disciplina tática e utilidade coletiva. Em teoria, cada nome deve justificar sua presença com o que fez em campo. Na prática, porém, o país acompanha uma curiosa experiência administrativa. Ao que tudo indica, a relação tem apenas 25 vagas em disputa. A vigésima sexta já estaria reservada por decreto sentimental. Neymar ocupa, no futebol brasileiro, uma categoria singular. Não…

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Não é a economia, estúpido!

Edward Magro | 13/05/2026 O coordenador da campanha de Bill Clinton, James Carville, cunhou, em 1992, a frase “É a economia, estúpido”, máxima que sintetizava a convicção de que o eleitor, diante da urna, julgaria sobretudo o estado do próprio bolso. A sentença ganhou fama, atravessou décadas e converteu-se em uma espécie de dogma para analistas, jornalistas e dirigentes políticos. No Brasil, transformou-se quase em um mantra automático de parte dos economistas e comentaristas políticos, repetido como chave explicativa universal, mesmo diante de uma realidade política cada vez menos compatível com essa simplificação. Mesmo em sua origem, porém, a fórmula…

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O fascismo como experiência concreta no Brasil

Edward Magro na RED | 09/05/2026 “A ameaça interna: psicanálise dos novos fascismos”, obra recente de Vladimir Safatle, reativou um debate que atravessa a experiência brasileira há décadas, ainda que frequentemente suavizado por acomodações institucionais frágeis. A formação social do país, marcada pela violência estrutural e pela longa duração da escravidão, conservou disposições autoritárias que jamais foram plenamente superadas. Por algum tempo, tais disposições permaneceram parcialmente encobertas; no entanto, transformações recentes no cenário político conferiram-lhes maior visibilidade. As jornadas de 2013, seguidas pelo golpe parlamentar contra Dilma Rousseff, contribuíram para desorganizar um equilíbrio já instável, permitindo que esse fundo histórico…

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Entre austeridade e violência, o fascismo no Brasil

Edward Magro | 06/05/2026 A publicação de A ameaça interna: psicanálise dos novos fascismos, de Vladimir Safatle, recolocou no centro do debate público um problema que, no Brasil, jamais se deixou encerrar. A recepção do livro foi intensa, por vezes tensa, e não apenas por seu diagnóstico, mas pelo deslocamento que propõe. Ao retirar o fascismo da condição de anomalia histórica ou de intrusão externa, Safatle o reinscreve como possibilidade inscrita nas próprias formas de organização das sociedades contemporâneas. A consequência desse gesto é exigente. Ele impede que se mantenha intacta a crença de que a democracia liberal, por sua…

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