A peleja de Lula com Trump

Edward Magro | 23/10/2025 Durante toda a semana, diplomatas, analistas, jornalistas e palpiteiros curiosos, como eu, se ocuparam da antes improvável, hoje muito provável, reunião entre Lula e Trump, à margem da 47ª Cúpula da ASEAN, em Kuala Lumpur. À mesa, que no protocolo se chamará “encontro bilateral”, serão servidos dois únicos pratos. O Brasil busca o fim das taxações que encarecem suas exportações; os Estados Unidos, como de costume, pretendem conter a influência chinesa sobre o continente sul-americano — e, para isso, veem o Brasil como o troféu que ainda lhes falta na cristaleira da hegemonia. É um banquete…

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Por um outro Israel

Edward Magro | 16/10/2025 Em Roma, ao ser questionado sobre as relações do Brasil com Israel, o presidente Lula respondeu com a serenidade habitual: “O Brasil não tem problema com Israel; o Brasil tem problema é com Netanyahu. A hora em que Netanyahu não estiver mais no governo, não haverá nenhum problema entre o Brasil e Israel, que sempre tiveram uma relação muito boa.” A resposta, cortês e diplomática, parece simples. Mas há algo nela que me inquieta. Talvez o impasse não se limite a um nome, nem a um governo. Meu desconforto, ou minha angústia, habita o segundo período…

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O descanso do guerreiro de toga

Edward Magro | 10/10/2025 Talvez nem todos se deem conta, mas o Brasil experimenta, hoje, um raro alívio, daqueles que chegam quando o ar se torna, enfim, respirável e a claridade da manhã devolve alguma gentileza ao mundo. São, por assim dizer, as águas de março encerrando o verão.A boa nova é o anúncio da aposentadoria antecipada de Luís Roberto Barroso, feita entre lágrimas, afetações, soluços discretos e autoelogios nada discretos, vertidos em metáforas nem sempre contidas. É um dia a ser comemorado. O país, cansado de eloquências togadas, iluminismos de auditório e de suas digressões poético-musicais nas redes sociais,…

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O ursinho togado

Edward Magro | 29/09/2025 A entrevista concedida pelo ministro Luís Roberto Barroso à jornalista Mônica Bergamo, publicada ontem na Folha de S.Paulo, é, em tudo, ternura e delicadeza. Cada pergunta, um desvelar amoroso; cada resposta, um afago; cada observação, um chazinho de camomila com mel de jataí; cada recordação, um algodão-doce derretendo lentamente na boca. Nada mais apropriado do que descrevê-la como a coisa mais fofa do mundo. Entrevista-fofucha. Talvez esteja aí o problema. Porque, entre tantos diminutivos açucarados, a aura de candura do ministro revela menos inocência do que se imagina, e bem mais cálculo do que a aparência…

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